21/04 - Zé Maria do Tomé, presente!

(Por Marcelo Lima - estudante de história da UFC e militante da juventude do PSOL)

21 de abril: Tiradentes? Talvez. Neste dia, feriado nacional em alusão ao "heroi" simbolo da república no Brasil, quero é lembrar de um agricultor do Vale do Jaguaribe, da Comunidade do Tomé, em Limoeiro do Norte: Zé Maria!

Zé Maria, do Tomé, assassinado há exatos 6 anos, marca a luta das/os agricultoras/es familiares na busca de uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos/venenos e contra o agronegócio. Este mesmo projeto de desenvolvimento que, no campo brasileiro, tem levado a mais concentração de terra, contaminação dos alimentos, do solo e das águas e, ainda, aumentado a violência. Assim como Zé Maria do Tomé, outras/os tantos lutadoras/es sociais do campo são assassinados a mando dos latifundiários, dos ruralistas, vide o recente assassinato de dois companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Paraná.

A luta de Zé Maria contra a pulverização aérea na Chapada do Apodi só aumentou após seu assassinato. Apesar de mais e mais incentivos para a indústria do veneno, encabeçados pelos governos federal, estaduais e municipais, a luta contra o agronegócio tem ganho vários adeptos. Temos que denunciar este verdadeiro "projeto de morte"!

Por último, o exemplo de Zé Maria é uma referência na luta pela construção do ecossocialismo. Talvez ele não tivesse noção deste termo, tendo em vista que é pouquíssimo difundido, mesmo no campo da esquerda socialista. Porém, a luta contra os agrotóxicos, e contra o agronegócio, deve ser, também, uma luta contra a ideologia do progresso que insiste em assombrar e embasar grande parte das matrizes teórico-políticas das esquerdas brasileiras. É necessário, porque não dizer urgente, a aproximação dos marxistas e ecologistas, da crítica moderna da sociedade de classes com a crítica radical da lógica de desenvolvimento das forças produtivas, ou melhor, forças destrutivas. É sendo destrutivo, pois, que o capital atua, sobretudo com as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e camponesas. Há um mundo outro a construir e, com certeza, não teremos tarefas fáceis. É preciso frear o bonde descontrolado que está nos levando ao abismo. Este bonde tem um nome: progresso!

Zé Maria do Tomé, PRESENTE!

Ecossocialismo ou barbárie!

 

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