Um ano de Camilo, 09 anos de Cid ou 29 anos do “governo das mudanças” de Tasso Jereissati?

A avaliação do governo Camilo neste primeiro ano de governo é de que mudou o estilo pessoal, mas não mudou o modelo político-econômico desigual, socialmente injusto e ambientalmente degradante. E com este modelo, todas as graves conseqüências que ele acarreta. É um governo de continuidade de um modelo político que só enxerga a população pobre e trabalhadora como voto na época da eleição e de um modelo econômico que continua a privilegiar grandes indústrias, empreendimentos que consomem água em abundância em plena região do semi-árido e que poluem o meio ambiente, enquanto o povo do interior do estado sofre com a falta d’água.
Um governo que insiste em continuar com o projeto do Acquário, apesar das várias denúncias de irregularidades, promove gastos exorbitantes com auto-propaganda, enquanto faltam recursos para a educação, saúde, segurança, habitação e demais políticas sociais.

SECA
O caso emblemático das termelétricas é a síntese do que há de pior no século XXI num estado pobre e árido como o nosso: junta benefício fiscal, alto consumo de água e excessiva liberação de dióxido de carbono na atmosfera.
Tá faltando água para o povo e o governo continua liberando água para os grandes empreendimentos. Quem mora no interior do estado sabe o que é a falta de água e a que tem ainda é de péssima qualidade.
Não são apenas os dados meteorológicos que demonstram ser esta a pior seca dos últimos cinqüenta anos. Mais de 80% dos açudes do Ceará estão com volume abaixo de 30% e a média acumulada no estado é de 15%. E o cenário pode ainda se tornar mais grave, se houver a extensão desse período de estiagem em 2016, sob influência do El Niño.
É inaceitável, imoral, injusto, perverso que a população do interior do nosso estado sofra com a falta de água, enquanto o governo do estado libera água para Termelétrica do Pecém que gasta 800 litros de água por segundo – isso mesmo (!) – por segundo.
O projeto de mineração de urânio e fosfato na região de Santa Quitéria prevê o uso, melhor dizendo, abuso de 280 litros de água por segundo.
De onde o governo consegue tirar tanta água? Do povo! Do povo do sertão que sofre com a falta das chuvas e uma política irresponsável do governo do estado que tira do trabalhador, do nosso povo para dar aos ricos.

EDUCAÇÃO
E mal começou o ano, o governo já foi anunciando cortes em setores fundamentais para a população como saúde, educação e segurança. Na educação pública, vários professores temporários que atuavam em salas funcionais (de informática, laboratório, biblioteca) foram demitidos. O corte atingiu até mesmo materiais necessários para a atividade escolar como papel, pincel, além da merenda que faltou em algumas escolas.
E já chegou o final de 2015 e os professores da rede de ensino estadual ainda não receberam o reajuste completo do piso salarial.
As universidades públicas estaduais amargam corte na verba de custeio. Já não bastassem as condições precárias com as quais têm que se manter, o governo, ao invés de ampliar a verba, ainda cortou! Resultado disso: obras paradas, bolsas de estudantes atrasadas, e compromissos antes assumidos passaram a ser ignorados, o que levou a URCA a entrar novamente em greve, porque nem mesmo a contratação de professores acertada para aquela universidade havia sido garantida.

SAÚDE
Continua o caos, bem diferente da propaganda política na época das eleições. Faltam leitos, medicações básicas e médicos para dar conta de todos os atendimentos. Além de material básico como luva, máscara, material para esterilização de equipamentos. São pessoas internadas desumanamente em macas nos corredores dos hospitais e milhares na fila de espera por cirurgia.
Programas como o de fornecimento de fórmula para crianças com alergia alimentar sofrem com a falta de regulamentação, o que representa um risco para a saúde e a vida destas crianças.
Estas são as conseqüências diretas dos cortes efetuados na saúde pública.

SEGURANÇA PÚBLICA
Vivemos uma grave crise na Segurança Pública que não apenas precisa ser admitida, como revista a política baseada ainda nos mesmos princípios que já deram errado em todas as outras gestões.
Embora os crimes violentos letais intencionais tenham diminuído, as mortes decorrentes de ação policial passaram de 53 no ano passado para 78 até novembro deste ano, ainda sem contar com as vítimas da chacina ocorrida na Grande Messejana, danos irreparáveis para as famílias das vítimas, e um escândalo para nosso estado.
Ainda é a juventude negra e pobre da periferia a grande vítima de um modelo de segurança desconectado do conjunto das políticas sociais e de promoção de direitos.

CRISE NO SISTEMA SÓCIO-EDUCATIVO
A situação dos centros sócio-educativos no estado é de completa precariedade. Unidades superlotadas, algumas com até 400%, sem atividades sócio-educativas, lazer, acompanhamento psicológico. Além de várias denúncias de torturas e maus tratos, feitas pelo próprio Ministério Público que solicitou ao governo do estado que declarasse estado de emergência. Adolescentes com 10, 15, 17 pontos na cabeça causados por ferimentos e machucados com barras de ferro. Uma situação infernal. Num intervalo de sete dias, chegou a haver cinco rebeliões porque as condições eram inaceitáveis para qualquer ser humano.
É a tragédia humana e social. O Estado se ausenta na oferta de políticas públicas de educação, saúde, segurança, habitação, saneamento de qualidade. Cria o caos e a desigualdade social que é a maior violência e depois, no momento de re-socialização, novamente o Estado age com mais violência, ao ofertar condições degradantes, infernais mesmo para nossos jovens adolescentes.
Um recado já era para ter ficado bastante claro para todos nós. A paz, a melhoria das condições de segurança só será alcançada com justiça social e promoção de direitos. Não é com violência, redução e precariedade das políticas sociais que alcançaremos uma sociedade menos violenta. Uma sociedade serão tão mais segura, quanto mais socialmente justa ela for.

 

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