Porque estou me filiando ao PSOL?

A travesti, transfeminista, ativista LGBT, pesquisadora de temas relacionados ao estudo de gênero e articulista em mídias alternativa, Helena Vieira, em carta pública, explica os motivos levaram-na a se filiar ao PSOL; “Escolhi o PSOL, dentre tantos partidos de esquerda, pela forma como o PSOL lida com as questões de gênero e sexualidade, e pela forma como permite que eu me expresse, democraticamente, dentro do Partido”, destaca a militante.

 

Confira o documento na íntegra:

 

Hoje tomei a decisão de me filiar ao PSOL. Ainda não o fiz prontamente, pois como estou no Ceará, preciso transferir meu título de SP para . Mas decidi me filiar. Minha decisão passa, necessariamente, por perceber que a oposição de esquerda se faz cada vez mais necessária no nosso país. A esquerda, apesar dos avanços sociais do governo do PT, se permitiu conduzir por um modelo consumista que parece ter chegado ao seu limite, lembrando que o incentivo ao consumismo desenfreado apenas conduz ao caos ambiental, ao caos dos sistemas de transporte e nada, nada tem a ver com a luta anti-capitalista a ser travada pela esquerda.

Nenhuma mudança estrutural se fez. Grandes mudanças se fizeram e isso é indubitável, mas foram apenas na superfície. Porém, o projeto político do PT, que apoio desde os meus 15 anos, já não pode mais ajudar os oprimidos, as mulheres, as travestis, a comunidade LGBT e a classe trabalhadora no Brasil. Está esgotado. 

O Governo petista, ainda renunciou aos avanços nas questões de gênero em nome da Governabilidade, rendendo-se à bancada fundamentalista evangélica. Sou ativista, transfeminista, e sei que as vidas das pessoas trans não podem esperar que os acordos ou que o cenário seja " favorável",nós continuamos, diariamente a morrer.  Precisamos de uma oposição mais árdua, e essa oposição não se fará pela direita jamais, mas pela esquerda. 

Não vejo grande representatividade de pessoas trans e travestis nos partidos políticos aqui no Ceará, e nem nacionalmente. As demandas LGBT são tocadas, no Congresso, a duras penas pelo Jean Wyllys, ( ainda que eu tenha discordâncias com ele).  É neste sentido que acompanho companheiras travestis do Nordeste, que se filiaram ao PSOL. Escolhi o PSOL, dentre tantos partidos de esquerda, pela forma como o PSOL lida com as questões de gênero e sexualidade, e pela forma como permite que eu me expresse, democraticamente, dentro do Partido.

Vivi anos no PT, compus Governo em Guarulhos-SP, assessorei parlamentares petistas, conheci outros partidos, e me identifiquei com o PSOL. Acredito que a escolha de um Partido, deva ser a escolha daquele coletivo que mais se alinhe com nossos anseios para a sociedade, e que mais permita que tenhamos democracia interna para dialogar.

Não entro no PSOL com a ilusão da perfeição do Partido. Entro na esperança de ajudar a fomentar os debates sobre as questões de gênero e sexualidade, e de poder construir espaços para que outras travestis, posssam participar politicamente, com suas opiniões e posicionamentos e para construir o partido que eu sonho. A busca pela perfeição na política só produz afastamento. Enquanto acreditarmos e aceitarmos que a política é má, e serve apenas para uns poucos ricos e sortudos, então nunca democratizaremos os espaços. É preciso ocupá-los, e as vezes, isso requer muita briga. Negar a política, é esvaziar os debates, é esvaziar a ação. Hannah Arendt já dizia que política é ação, ela não pode se dar fora deste campo. E é por ver o PSOL como um partido de ação, de luta, mas também de reflexão, que busca saídas para a crise na qual estamos, que optei por me filiar ao PSOL.

 

Helena Vieira Helena é travesti, transfeminista, ativista LGBT, colunista do Brasil Post e da Revista Forum, pesquisadora associada ao Núcleo de Políticas de Gênero da Unilab e estudou Gestão de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo.

 

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