Renato Roseno (PSOL) denuncia extermínio da juventude no Ceará

O deputado estadual Renato Roseno (PSOL) utilizou a tribuna da Assembléia Legislativa do Ceará para denunciar o extermínio da juventude pobre e negra, nesta sexta-feira (20/02).  Apresentando dados do recente levantamento realizado pelo Laboratório de Análise da Violência (LAV), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que apontam  Fortaleza com o pior índice de assassinatos de adolescentes do Brasil, Roseno  destacou o aspecto de classe que está relacionado com o extermínio da juventude: “o que temos é um genocídio da juventude, principalmente de jovens do sexo masculino, negros e habitantes da periferia urbana”, destacou a parlamentar.

Os dados apresentados pelo LAV demonstram que Fortaleza possui um Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) de 9,92 por grupo de mil pessoas na faixa etária de 12 a 18 anos, enquanto em Recife o número chega a 3,7, no Rio de Janeiro o índice é de 2,06 e em São Paulo, 1,69. Entre 2005 e 2012, o índice de Fortaleza saltou de 2,35 para 9,92, enquanto no mesmo período houve queda em Recife (de 7,12 para 3,74), no Rio (de 5,52 para 2,06), e em São Paulo (de 1,90 para 1,69).

Mesmo com a queda do índice em outras capitais, a situação continua despertando atenção em todo o país. Com 53 mil assassinatos por ano na população em geral, o Brasil ocupa a 16ª posição em número de homicídios entre 157 países analisados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) no Brasil é de 4,8. E a situação vai piorando nas regiões mais pobres. Enquanto no Sudeste o índice é de 2,25, no Nordeste chega a 5,97. Na comparação entre os estados, a posição do Ceará é também desalentadora. Se temos em São Paulo um índice de 1,29, no Ceará chega a 7,74. É o terceiro pior estado, atrás apenas de Alagoas e Bahia.

Ao discutir as alternativas para superação destes índices negativos, o parlamentar do PSOL propôs uma audiência pública na Comissão da Infância e Adolescência para discutir os dados com a participação dos pesquisadores e destacou que a situação “não se resolve com aumento do aparato policial, mas com políticas específicas e incremento da política social, como escola, posto de saúde... A inclusão no mercado de consumo não garante acesso a direitos nem a políticas de proteção social a longo prazo e não evita a destruição do tecido sociofamiliar e comunitário”, apontando ainda que, dentro e fora do Brasil, existem experiências exitosas de redução das altas taxas de homicídio após a aplicação de medidas simples e baratas, como a ocupação das praças com atividades esportivas, culturais e de lazer a partir das 22h.   

 

 

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